Cenários que envolvem paisagens infernais não são nenhuma novidade no mundo dos games. Provavelmente, a série Diablo é a responsável pela imagem que muitas pessoas têm do inferno e seus demônios: um lugar sombrio e deserto, povoado por demônios sanguinários que não têm outro objetivo a não ser provocar sofrimento e dor a todos os humanos que adentrem seus domínios.
É claro que esses elementos estão presentes em Inferno, jogo criado pelos brasileiros da Continuum Entertainment. Mas em vez de retratar os demônios como simples seres bestiais sem nenhum tipo de raciocínio, o jogo nos prova que até no inferno há espaço para revoltas, guerra civil e, por que não, boas doses de bom humor.

A história
Depois de milênios provocando dor e sofrimento, até o próprio Senhor das Trevas decidiu que era hora de arrumar as malas e partir em uma longa viagem para o Hawaii, lugar que lembra um pouco sua terra natal devido à grande quantidade de vulcões. Com o grande líder do inferno fora de cena, não demorou para que demônios menores começassem a traçar planos para aumentar seu poder individual.
O resultado disso foi uma guerra civil, que resultou em uma situação inusitada no inferno. As almas que estavam ali para serem torturadas, ao ver que seus captores estavam muito ocupados lutando entre si para lhes dar alguma atenção, se uniram em vilas em que predomina a paz e a harmonia. Quase como se pequenos pedaços do paraíso tivessem sido criados em meio a um local conhecido pelo sofrimento, sangue e cheiro de morte.
Depois de mais de um ano nesta situação, três grandes espíritos se uniram para tomar de vez o domínio do Inferno. Cabe ao jogador assumir o papel deles na luta para reconquistar o domínio do Mestre das Trevas e acabar com a má influência que a criação das pequenas áreas de paz e harmonia pode trazer sobre os demônios mais jovens e inexperientes
Bom humor e ação em um cenário infernal
Quem está acostumado a outros RPGs de ação, como a própria série Diablo, não vai ter nenhuma dificuldade para se adequar à jogabilidade de Inferno. O jogo se constitui entre diversas cidades e estradas diferentes, cumprindo uma série de objetivos pelo caminho. Estes variam bastante, desde a simples destruição de uma vila de humanos que resistem ao domínio dos demônios, à coleta de diversos itens do mesmo tipo ou até mesmo enfrentar inimigos poderosos como dragões que têm demônios como refeição favorita.

Os controles misturam comandos realizados através do mouse com cliques dos dois botões do mouse, e funcionam muito bem: enquanto através das teclas você movimenta o personagem e escolhe entre as diferentes magias de ataque e cura, os dois botões do mouse alternam entre diversas combinações de socos e chutes. Para evitar que as partidas se tornem repetitivas, o jogador é forçado a incorporar novos tipos de demônios de maneira constante, o que mantém a sensação de novidade e possibilita novas opções de jogabilidade.
Não é possível deixar de mencionar os gráficos de Inferno, que, embora apresentem uma série de cores diferentes e personagens que poderiam ter saído de um desenho animado, sem dúvida são uma representação convincente do inferno. Então, por mais que você veja demônios fofinhos e casas que parecem ser feitas de brinquedo, a presença constante de fogo, explosões e ossos espalhados pelo chão lembram o local em que o jogador está localizado.

A parte em que Inferno demonstra alguma fraqueza é no som: as melodias presentes no jogo enjoam rapidamente, e os efeitos sonoros são repetitivos. Após passar alguns minutos ouvindo os mesmos efeitos sonoros toda vez que você atinge os diferentes tipos de humanos e demônios que surgem pelo caminho, você logo estará jogando sem som ou com um player de música aberto ao mesmo tempo.