O que é Traffic Shaping?

Uma prática muito comum e ao mesmo tempo negada pelas provedoras de acesso à internet: entenda melhor a polêmica e aprenda o que você pode fazer com relação a isso.

Por Pablo de Assis em 11/11/2009
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A grande maioria dos usuários de internet não percebem isso ou não se preocupam, mas uma pequena parcela deles, aqueles que fazem downloads grandes via protocolos de transferência, já notaram que em determinados horários ou para determinadas funções a internet fica muito mais lenta. Há uma estimativa que cerca de 10% dos usuários de internet no Brasil são responsáveis por 80% do tráfego de dados nas redes do país. Ou seja, sobram mais ou menos 20% de banda para a grande maioria dos usuários.

Pensando nisso, as provedoras de acesso à internet – ISP, do inglês Internet Service Provider – começaram algumas formas de moldá-lo, limitando o tamanho da banda para os protocolos que usam mais a rede, que são basicamente os de transferência de arquivos grandes. Esses são os protocolos P2P, como do Emule ou do Ares Galaxy, ou os Torrent utilizados amplamente por muita gente. Alguns provedores limitam inclusive a transmissão de arquivos via FTP, outro tipo de protocolo, usado para fazer transferências entre servidores.

Vários provedores de acesso limitam o uso de protocolos P2P e Torrent.

Este tipo de prática é chamado de Traffic Shaping, o que significa literamente modelação de tráfego. Os provedores negam a prática por ela ser ilegal e camuflam muito bem a forma como isso é feito. Mas isso acontece para garantir que a maior parte de sua rede, que não utiliza esses protocolos de transferência ou não fazem downloads pesados, possa ter um acesso tranquilo a seu email, aos blogs que lê e até mesmo poder ver alguns vídeos no Youtube.

Por que os provedores fazem isso

Para garantir o cumprimento dos contratos, provedores aplicam o Traffic Shaping.Quem utiliza rede compartilhada sabe que, quando várias pessoas estão conectadas ao mesmo tempo, a velocidade de sua conexão é reduzida, pois a capacidade da rede está dividida entre vários computadores. O mesmo acontece com o acesso à internet de uma forma geral. Ao conectarmos nossos computadores, isso é feito via rede oferecida pelo provedor de acesso. Se existe muita gente usando a rede ao mesmo tempo, a capacidade total dela fica reduzida.

As empresas provedoras precisam cumprir seus contratos com os clientes. Quando elas vendem planos de 3MB ou 10MB, seus clientes gostariam de ter essa velocidade ao abrir uma página ou ao abrir um vídeo em um site de streaming. Como dito antes, 90% dos contratantes destes serviços não utilizam protocolos de transferência de arquivos, portanto podem utilizar a velocidade quase completa de acesso sem prejudicar a quantidade de dados transmitidos.

Entenda melhor a transmissão de dados

A transmissão de dados via internet é feita por pacotes. A velocidade de acesso pouco tem a ver com a quantidade de pacotes transmitida. Para entender melhor, façamos uma analogia entre o tráfego de dados com o de carros.

Você pode fazer uma analogia entre o tráfego de carros e o tráfego de dados.Imagine que ao acessar normalmente a internet você está carregando uma quantidade de pacotes suficiente para encher um carro. Acessos rápidos, só para ler emails ou utilizar o Twitter, transmitiriam pacotes relativos a uma moto. Agora, fazer download de filmes ou grandes arquivos precisaria de um caminhão pesado. Se existem muitos caminhões andando com os carros, a velocidade dos carros e motos vai diminuir. Por mais que os caminhões sejam somente 10% dos veículos da estrada, se eles estão carregando muita coisa, o trânsito pesa e os outros veículos também são prejudicados.

Agora, se existir uma forma de limitar o trânsito dos caminhões, fazendo, por exemplo, que em determinados horários seja proibido andar com cargas muito pesadas, o transito flui melhor para todos os outros veículos. Por exemplo, em regiões metropolitanas de grandes cidades, caminhões são proibidos de transitar. Pensando nessa analogia, podemos imaginar porque os provedores de acesso fazem isso. Ao limitar os protocolos de transferência de poucos usuários, ele garante uma maior fluidez do tráfego de internet para a maioria.

Como os provedores fazem isso

Existem alguns programas utilizados pelas empresas que modelam o acesso à internet. Os provedores podem, por exemplo, limitar o uso de alguns protocolos de transferência. Geralmente os clientes de Torrent ou P2P como o Emule utilizam determinadas portas de acesso. Ao limitar o acesso a essas portas, o provedor garante que poucos dados serão transmitidos. Este limite é feito ao se perder aleatoriamente alguns dos dados enviados, forçando uma economia do uso de banda.

Os provedores podem limitar o acesso a certos protocolos e redes.Outra forma é limitar isso a determinados horários, liberando a utilização mais pesada da rede após às 20 horas, por exemplo. Pode-se ainda limitar o uso em determinada região geográfica. Ao detectar o maior fluxo de dados, os provedores diminuem o acesso nesses locais ou horários.

Isso é feito porque ainda há pouco investimento em infraestrutura de banda larga no Brasil. Os provedores se questionam se vale a pena investir milhões para garantir que 10% de seus clientes consigam fazer downloads e uploads a qualquer hora, sendo que o serviço oferecido e os pacotes vendidos são suficientes para quase 90% dos usuários.

É claro que existem questões contratuais para obrigar os provedores a oferecer sempre o pacote de dados vendido. Porém, todos os contratos oferecem cláusulas dizendo que uma velocidade mínima de acesso é garantida, geralmente de 10% do valor contratado. Incrivelmente essa é a eficiência ao se fazer o Traffic Shaping. É claro que as provedoras negam a prática, mas os usuários conseguem provar isso, como é possível ver neste vídeo:

 

Dicas para driblar o Traffic Shaping

Existem várias formas de se driblar as limitações impostas pelas empresas provedoras de internet. Algumas são mais complexas, pois exigem conhecimento de arquitetura de rede ou tecnologia de conexão. Aqui serão passadas algumas dicas mais simples, porém eficazes para garantir uma velocidade maior de download.

A primeira coisa que você deve fazer é testar sua conexão para saber se ela realmente está sofrendo com Traffic Shaping. Existe o projeto Glasnost que testa sua conexão atrás de limitações. Para fazer isso, basta visitar a página do serviço neste link e clicar no botão “Start Testing”.

Você pode encriptar sua rede para evitar ser localizado pelo provedor.O teste demora aproximadamente oito minutos e verifica se a provedora limita acesso ao protocolo BitTorrent. Caso comprove isso, você pode alterar algumas configurações de seus programas de transferência de arquivos. Algumas delas - e programas - podem funcionar com um provedor e não com o outro, então teste à vontade.

A primeira coisa que você pode fazer é usar encriptação no tráfego P2P de seus programas de Torrent. Desta forma fica quase impossível de as provedoras saberem que você está usando esses protocolos. Dependendo do programa existem formas diferentes para habilitar a função.

BitComet: primeiro, vá ao menu Option. Depois clique em Preferences, Advanced, Connection, e marque a opção Protocol encryption.

BitTorrent e uTorrent: Primeiro, vá ao painel Preferences e lá escolha a aba BitTorrent. Clique em Protocol encryption e marque a opção Enabled.

Vuze: primeiro, mude seu perfil do modo iniciante para o avançado. Em seguida, vá ao menu Tools, abra o Configuration Wizard e escolha a opção o Advanced. Depois retorne à função Tools e clique em Options, Connection e Transport Encryption. Clique em Require encrypted transport, vá ao menu Minimum encryption e escolha encriptação RC4.

Os provedores, porém, estão conhecendo essas técnicas e inclusive chegam a bloquear qualquer programa que pareça utilizar o protocolo Torrent. Se isso acontecer, você deve trocar de programa ou de provedor de acesso. Não tenha esperanças que reclamar para seu provedor ou até mesmo para a ANATEL vá resolver algo, pois as empresas negam a prática e estão amparadas pelo contrato assinado com o cliente. Ao mesmo tempo a ANATEL precisaria investigar as denúncias e isso levaria tempo. O melhor mesmo é encontrar um provedor ou um programa que permita a você fazer os downloads que quiser.

O que achou destas dicas? Elas foram úteis a você? Você sofre com o Traffic Shaping de seu provedor de acesso? O que você fez? Deixe aqui sua opinião e participe da discussão!





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78 pessoas opinaram sobre este artigo
DenisMod em 28/12/2009 às 12:57h As provedoras de internet 3G encontraram uma maneira de legalizar isso... Comercializam um plano de internet "ilimitado" onde, mesmo pagando o absurso que é, quando o usuário atinge fluxo de dados de 1 ou 2 Gigas eles reduzem a velocidade para 256kbps!
Matheus Souza em 28/12/2009 às 11:46h Graças a deus, a Oi nao pratica traffic shaping comigo :D e olha que eu nao baixo menos que 15-20 gb de dados por mês :D
Edson Parra Galvão em 28/12/2009 às 06:10h Desculpas esfarrapadas para justificar o injustificável. As operadoras vendem mais do que tem a dar e agora culpam os usuários. E ainda vão pensar se fazem investimentos. Onde estão a Anatel? Procon? Ministério Público? Congressistas? Nunca antes...
eduardo augusto lemos em 28/12/2009 às 02:32h Olha diferente do que o baixaki fala,eles fazem isso para poder arrecadar o maximo de dinheiro possivel sem investir em infra estrutura.Vendem pacotes que eles sabem que não aguentam e por isso usam desse artificio.É como se eles vendessem uma vaga de carro inteira para você e depois mandassem dividir essa vaga em 4 ou 5.Mesmo você não ganhando nada com isso.
rlara15 em 27/12/2009 às 21:11h é difícil , eu tenho a Steam, e é foda , os downloads que já são grandes , dos jogos , duram dias(e noites) , pago por 2Mbs , pra ter uma velocidade de transmissão de no max. 180Kbs, o meu é speedy , alguém alem de mim tem esse problema com Steam?eu uso Ares/Limewire e não sinto tanto esse problema, mas com a Steam é muito
oco_x4 em 27/12/2009 às 11:41h Hoje noto essa tendencia também em sites de hospedagem mais `manjados`: Megaupload, Easy e Rapidshare...a velocidade de download é ridicula....cai de ~300kbps para 30, 20....pasmem!!! 15Kbps...numa `chonechichão` de 3Gbits!!!Claro que em sites lindos e maravilhos ....como o Baixaki... :0) .....o trem fica normal....$$$$
Rafael Henrique Muriali em 27/12/2009 às 10:42h Legal, a minha net tem traffic shapping somente em P2P (óbvio, vai ter no download normal?Aí já era abusar, né?) mas aí eu ativo a encriptação e baixo de boa. Aqui a minha net é 500Kbps, e baixo a 250 Kbps (Speedy).Obs.: Nos horários que ñ tem traffic shapping a minha net fica bem mais lenta, deve ser por causa q tem muito usuário fazendo download.
Paulo Renato em 27/12/2009 às 10:10h Por um lado os provedores estao errados de limitar a rede, pois se voce paga por 1MB voce tem o direito de usar 24 h por dia estes 1 MB, mas por outro lado os usuarios que fazem downloads de filmes e programas pesados pela internet, tambem estao errados, por que e ilegal o download de filmes e musicas sem o concentimento dos autores. Entao no final das contas fica elas por elas, os usuarios continuam baixando ilagalmente, e os provedores limitando a rede.
Wilson Marques de Oliveira em 27/12/2009 às 09:40h As informações deste artigo têm todo valor. Mas é evidente que isto é uma briga de cachorros doidos. O mundo, no entanto, está assim mesmo, competir, competir e competir... lutar pelos direitos... galgar melhores posições.
Paulo em 27/12/2009 às 00:53h Minha net quase sempre é rápida e não sofre disso, apenas em alguns poucos horários, mas os sites de compartilhamento tb as x são um saco, como o rapidsahre, q as x impede de alguem q nao tenha conta premium de baixar 1 arquivo, e em determinados horários fica hiper lento o download, o Megaupload é um dos melhores sites nesse quesito, pq quase sempre envia os arquivos com taxa de download alta e nunca pede conta premium obrigatória pra baixar algo! :)