MusicDNA: o MP3 finalmente encontrou um sucessor?

Por Felipe Gugelmin
Quarta-Feira, 27 de Janeiro de 2010
Conheça o MusicDNA, novo formato que oferece conteúdo multimídia como letras, vídeos e imagens e promete competir pelo trono dos arquivos MP3.

Embora existam centenas de codecs disponíveis no mercado, falar de música digital sem citar o MP3 é praticamente impossível. Isso porque o formato, criado há 20 anos, ainda mantém sua força em meio aos competidores por representar uma forma fácil e rápida de compactar arquivos sonoros e transmiti-los pela internet.

Atualmente é difícil encontrar algum player de música, reprodutor portátil ou até mesmo aparelhos celulares e reprodutores de DVD e Blu-ray que não seja compatível com a tecnologia.

Mesmo não representando o ápice de qualidade no que diz respeito à tecnologia de áudio digital, o formato é tão aceito que oferecer um dispositivo que não o suporte pode ser considerado um verdadeiro suicídio comercial.

Embora tenha recebido algumas melhorias durante sua vida, o MP3 já apresenta certo desgaste, principalmente no que diz respeito a possibilidades multimídia. Com o crescimento da oferta de conexões em banda larga a preços acessíveis, é difícil aceitar que sejam vendidos arquivos capazes de oferecer somente poucos detalhes como nomes de faixas e ordem das músicas.

Pensando nessas limitações foi desenvolvido o MusicDNA, que tem como objetivo reformular a relação dos usuários com a música digital e trazer de volta alguns elementos perdidos nos últimos anos. O novo formato promete trazer ao usuário não somente músicas, mas elementos como vídeos exclusivos, atualizações de blogs exclusivas e outros conteúdos para download.

Uma breve história do MP3

Embora seja um formato que ganhou popularidade a partir da década de 1990, a história do MP3 começa bem antes, durante os anos 70. O desenvolvimento do formato começou na Universidade de Erlangen, na Alemanha, na qual pesquisadores procuravam um meio de transmitir músicas através das linhas de telefone digitais que tinham acabado de ser desenvolvidas.

Poucos avanços foram obtidos até a metade da década de 80, quando os pesquisadores formaram uma aliança com a Fraunhofer Society para desenvolver um padrão de transmissão de arquivos para o sistema de rádio digital europeu.

O maior desafio dos desenvolvedores do MP3 foi encontrar um codec capaz de transmitir áudio com qualidade mesmo com taxas de dados baixas, para permitir o envio através de linhas de telefone e serviços de rádio. A solução foi o método atual de compreensão, que joga fora frequências que o ouvido humano não é capaz de ouvir.

Embora tenha sido bem sucedido em seu objetivo inicial, a popularização do MP3 só aconteceu em grande escala em decorrência de fatores que não tinham sido previstos pelos desenvolvedores.

Quando se deu a combinação de computadores pessoais poderosos, gravadores de CD a preços acessíveis e a popularização da internet no início da década de 1990, o MP3 se mostrou a alternativa perfeita para quem desejava ouvir e compartilhar músicas.

O grande salto de popularidade do formato se deu após o surgimento do Napster, em 1999. Único em sua época, o programa reuniu 15 mil usuários em sua primeira semana e, em fevereiro de 2001, era responsável pelo compartilhamento de quase três bilhões de faixas mensais. Todas elas em MP3.

Caso as grandes gravadoras da época tivessem percebido o potencial dos meios de distribuição digital e desenvolvessem um serviço mais competente que utilizasse outro formato, o MP3 poderia ter fracassado.

Porém, como é de conhecimento geral, a história foi outra: em vez de se adaptar aos novos tempos, a indústria preferiu combater por meios legais o Napster, o que gerou uma explosão da pirataria.

Enquanto os servidores do Napster eram fechados, surgiam diversos outros programas que ofereciam os mesmos serviços, e cada vez mais consumidores optaram pela comodidade e gratuidade oferecidas pelos programas que possibilitavam baixar músicas de forma ilegal.

Apesar de diversas tentativas de vender música digital através da internet e o estabelecimento de grandes lojas como o iTunes, a batalha das gravadoras estava perdida e desde então o MP3 carrega uma associação com a pirataria.

MusicDNA: mais conteúdo e proteção contra a pirataria

O primeiro ponto que deve ficar claro ao se falar sobre o musicDNA é que não se trata exatamente de um novo formato de codec, mas sim um complemento aos formatos já existentes. Ou seja, questões como a qualidade de reprodução e detalhes como compactação e quantidade de bitrate já conhecidas permanecerão inalteradas. 

O que o MusicDNA faz é fornecer uma nova “embalagem” aos arquivos já difundidos, integrando novos conteúdos que as atuais tags ID3 são incapazes de fornecer. Ao integrar um arquivo XML a formatos como MP3, AAC ou WMA, é possível obter uma música que carrega informações como letras, artes de capa e até mesmo vídeos relacionados.

A nova tecnologia permite que, ao abrir um simples arquivo MP3 em um player compatível, o usuário tenha acesso a diversos outros serviços. Por exemplo: ao baixar legalmente um novo álbum de sua banda favorita, você poderá acessar conteúdo exclusivo como vídeos de gravações, arte conceitual em alta resolução, letras completas e até mesmo acesso a chats e conferências exclusivas com os membros.

Como forma de valorizar a aquisição de arquivos originais, o conteúdo oferecido pode ser atualizado periodicamente. Ou seja, investir na compra de uma faixa pode render inúmeros vídeos, entrevistas ou até mesmo dar direito a ouvir prévias de novos lançamentos. Cada arquivo compatível com o MusicDNA pode carregar até 32GB de informações adicionais, o que pode significar meses ou até mesmo anos de atualizações.

Segundo os desenvolvedores, o objetivo é fornecer uma experiência semelhante àquela que só quem viveu a época dos discos em vinil é capaz de lembrar. Comprar um álbum era uma experiência muito mais sentimental, na qual aspectos como a arte de capa e encarte eram tão ou mais importantes do que a própria música.

Com a popularização dos CDs e, posteriormente, dos formatos digitais, muito desse relacionamento se perdeu. A relação com a música passou a ser menos sentimental, e houve uma separação entre as partes gráfica e sonora dos discos lançados.

Exemplo disso é que é cada vez mais comum possuir milhares de arquivos MP3 sem nenhuma arte de capa associada, e, na hora de acompanhar as letras, simplesmente acessar um site especializado.

O MusicDNA surge como uma forma de renovar o interesse dos usuários pelas músicas que baixam, devido ao conteúdo adicional que é oferecido. Isso tudo sem deixar de lado quem não quer migrar para o novo formato e simplesmente deseja ouvir as músicas adquiridas em aparelhos MP3 antigos.

Como se trata somente de uma nova “embalagem”, o formato possui compatibilidade com qualquer player ou aparelho compatível com codecs anteriores, como MP3, AAC ou WMA. Nesses casos, ao inserir um arquivo do MusicDNA, somente a parte do áudio é reconhecida, enquanto o resto do conteúdo multimídia é ignorado.

Desafios para o novo formato

Além de competir com o domínio absoluto de formatos como já estabelecidos, o MusicDNA vai ter que lidar com outros obstáculos para conseguir se estabelecer como o novo padrão de distribuição digital. O principal deles é a questão do preço: somente após o lançamento em escala comercial será possível definir se os consumidores estão dispostos a pagar quase o dobro do preço cobrado por uma música convencional.

Novos formatos buscam trazer de volta o relacionamento que havia com a música na época dos LPsA Apple também representa uma grande barreira para o domínio do MusicDNA, já que o serviço iTunes LP compete diretamente com o novo formato na tentativa de oferecer conteúdos extras para quem está disposto a pagar um pouco mais. Embora forneça esses arquivos em um formato proprietário, a companhia de Steve Jobs tem a seu favor o fato de ser a maior loja de música digital do planeta, com milhões de usuários fiéis.

Para que o novo formato seja capaz de vingar, será preciso que grandes gravadoras o apoiem de maneira massiva, algo que ainda parece longe de acontecer. Atualmente, somente a norte-americana Tommy Boy e as gravadora inglesas Beggar Group e Delta Records assinaram contratos com os desenvolvedores do MusicDNA.

Apesar de contar com nome como Strokes, Arctic Monkeys e Vampire Weekend em seus catálogos, estes ainda são nomes de pouca expressividade quando comparados aos catálogos de gravadoras como a Sony e a Universal.

O formato também terá de competir com a navegação através de nuvem, que surge como uma tendência cada vez maior. Embora ainda não existam serviços com catálogos tão vastos como a loja do iTunes, a cada dia surgem sites que disponibilizam a oportunidade de ouvir músicas, assistir a vídeos relacionados e acompanhar as letras através da tela do computador.

Conta a favor de o novo formato estar dissociado de qualquer programa específico (como o LP está ao iTunes), e de ser compatível com qualquer MP3 disponível no mercado, incluindo toda a linha iPod. Embora tenha sido apresentado rodando em um player desenvolvido pela própria companhia, tudo indica que logo deverão ser lançados codecs para outros programas já difundidos.

O novo formato ainda está em fase de testes beta, na qual devem ser eliminados quaisquer erros de conversão e incompatibilidade com players e MP3 players antigos. Se tudo correr bem, a previsão é que até o verão americano de 2010 (junho) o MusicDNA esteja disponível em formato comercial.

E você, o que pensa sobre este novo formato? O MusicDNA vai vingar ou vai ser somente um formato a falhar na luta contra o MP3? Não deixe de postar sua opinião em nossa seção de comentários.





Você gostou deste texto?




  • Downloads Relacionados
Programas relacionados ao texto acima
TagScanner
Renomeador de músicas e editor de TAGs com suporte a múltiplas alterações em seus arquivos.
XP/Vista/7/98/2000/2003
1,68 MBGratuito
MP3 Encoder
Codificador de mp3 que converte WAV para MP3 rapidamente.
XP/98/2000
265 KBGratuito
iTunes
Novidades para fãs, recursos extras, iTunes Store redesenhada e muito mais aguardam por você no novo iTunes.
XP/Vista/2000/2003
93,60 MBGratuito
MP3 Rocket
Baixe filmes, música, documentos e imagens neste programa que é uma verdadeira central multimídia.
XP/Vista/7/98/2000/2003
7,22 MBGratuito
Ashampoo MP3 AudioCenter
Grave, converta, ripe, edite informações e repare arquivos de áudio nesta verdadeira central de áudio!
XP/Vista/98/2000/2003
8,43 MBGratuito para testar
  • Comentários

123 pessoas opinaram sobre este artigo
Cadu Silva em 2/2/2010 às 22:47h Aê pessoal, mais informações para vocês! Descobri que o AAC é um formato "cru" e por isso não é possível fazer muita coisa além de ouvir. Nem mesmo o iPod lê esse formato, pois ele precisa estar num "container". Esse container no caso seria o .m4a que possui dentro um arquivo AAC, porém permite adicionar tudo o que um arquivo MP3 permite com maior qualidade.

O AAC já devia ter dominado a internet e o mundo a muito tempo, pois ele é perfeito para stream, o que permite baixos tamanhos de arquivo com alta qualidade sendo transmitido via internet sem necessidade de conexão de 1Gbps como no Japão. Um arquivo M4A com AAC dentro convertido para 90kbps tem a mesma qualidade sonora que um arquivo MP3 de 128kbps, mas com a metade do tamanho. Não é por menos que AAC significa Compressão de Áudio Avançada que resulta em arquivos menores com qualidade igual ou superior.

O melhor a se fazer é pegar o MediaCoder e converter seus arquivos para M4A através do Nero AAC Codec usando .3 ou .4 de nível de qualidade. Acima de .5 o som fica cristalino, simplesmente perfeito e bem definido. Mas abaixo disso ele ainda tem qualidade ótima, porém torna-se perfeito para enviar para seu iPod.

O MP3 já perdeu a muito tempo, pena que os menos informados não conheceram ainda as virtudes do AAC. Toda minha biblioteca está em AAC (.m4a via Nero Codec @ .4).
Alexandre Mastelari em 2/2/2010 às 22:10h se este programa for tao bom assim que alguem invente um gratis pros brasileiros maiores usuarios de internet do mundo
Sandrovski15 em 2/2/2010 às 15:30h Eu não acho que esse MusicDNA veio pra ficar não. Se ele reduz a pirataria, tudo bem. Mas será que as pessoas que comprarem pela Internet não irá "compartilhar" com os amigos que, por sua vez, irá compartilhar com outros amigos e assim por diante, voltando a tona a pirataria?? Quem é que não vai perder a chance de gravar uma cópia emprestada e comercializá-la?? Eu não faria isso. Sou a favor do compartilhamento, mas não da pirataria. Esse MusicDNA só vai fazer com que a pirataria aperfeiçoe seus métodos.
HENRIQUE SANTOS em 2/2/2010 às 11:35h não acredito que esse novo formato venha superar a popularidade e praticidade do mp3,além do mais arquivos mais pesados precisara de potateis ainda mais robustos em relação a memória,sem falar de que no brasil as conexões de banda larga ainda é um privilégio de poucos.
andré em 1/2/2010 às 23:53h vai ser apenas mais um formato como outro qualquer. E como sempre fazem, vão descobrir como torná-lo 0800 e se espalhar pela net.
Lucas Lp em 1/2/2010 às 21:24h Music DNA nunca vai superar o mp3, 1º qm vai qerer pagar algo q pode axar na internet de graça e 2º "Cada arquivo compatível com o MusicDNA pode carregar até 32GB de informações adicionais" qm vai ter paciencia pra baixar isso? sendo q nem todos tem uma internet de alta velocidade... Isso não vai dar certo!
Lucas Maltempi Monfardine em 1/2/2010 às 21:02h Quem sabe se surgissem bandas com um pouco mais de qualidade, como antigamente, as pessoas tivessem disposição para pagar por encartes, conteudo adicional. Além do mais, a pirataria seria combatida de forma muito mais eficiente se ao invés de investir em novos formatos e tecnologias, o preço fosse mais acessível.
Quanto as vantagens do formato, é interessante, mais dispensável.
Danilo em 1/2/2010 às 14:35h Musico hj vive de shows. nao de cd. tanto eh q muitos hj disponibilizam gratis nos seus sites.
Eduardo em 1/2/2010 às 14:03h dificilmente o MusicDNA vai pegar, pois nem todo mundo terá paciência pra ficar vendo os extras que esse formato pode trazer. Sem falar que o Google pode intervir nesse formato, devido aos prováveis vídeos que esse formato trará junto com o arquivo mp3, esses vídeos poderão ser uma afronta ao poderoso YouTube
pedrozzza em 1/2/2010 às 08:40h Interessante... o complicado (e que parece que muita gente q comentou aqui não ta sabendo) é que mp3 tambem não é gratuito. Baixar musicas em mp3 de graça é CRIME.
Baixa-se de graça porque é facil encontrar de graça. É um crime que todo mundo faz vista grossa. Ninguem deve ter lido a parte da matéria que conta "Uma breve historia do MP3". Eu gostei do artigo, gostei da novidade, e agradeço ao pessoal do Baixaki por trazer sempre as novidades tecnologicas, achei vcs muito esclarecidos.


© Copyright 2000 - 2010 No Zebra Network, todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução sem autorização.
Bajaki.com en español